Inspirada nos jardins de Giverny, estilista apresenta vestidos com flores pintadas à mão e modelagens que reinterpretam a estética impressionista no universo nupcial.
A estilista Ana França lança a coleção “Giverny”, uma proposta que relaciona o impressionismo de Claude Monet à alta-costura nupcial. Com formação no Instituto Marangoni de Paris e experiência em ateliês de Milão, ela apresenta uma leitura autoral sobre arte e moda ao definir o corpo como tela e o vestido como espaço de expressão. O lançamento marca um novo capítulo na trajetória da designer, que reúne quase duas décadas de trabalho e mais de 600 noivas atendidas.
A coleção parte da referência aos jardins de Giverny para criar vestidos que se afastam do uso tradicional de rendas e aplicações tridimensionais. O foco está nas flores pintadas à mão, técnica que incorpora pinceladas aparentes como elemento central da estética. “Nós queríamos trazer florais, mas não de forma óbvia. Trouxemos flores pintadas à mão, com as pinceladas propositalmente visíveis. A ideia é fazer uma referência direta à pintura, onde a beleza reside na imperfeição de cada traço”, explica Ana França.
A escolha da Cambraia como tecido principal reforça o conceito da coleção ao unir leveza, estrutura e potencial para intervenções manuais. O material atua como base para a aplicação dos florais e sustenta a proposta de aproximar luz, movimento e expressão, princípios característicos do impressionismo. Essa abordagem busca ampliar a compreensão do luxo dentro da moda noiva, priorizando processos artesanais e composições autorais.
O desenvolvimento da modelagem também foi influenciado pela obra de Monet, especialmente pela variação de perspectivas e pela desconstrução presente em suas séries. A estilista adaptou esses conceitos ao deslocar a posição da cintura e criar drapeados que sugerem mobilidade. “Para trazer essa releitura para o vestido, fomos movendo a cintura em diferentes pontos e explorando a transversalidade. O objetivo foi mobilizar esse conceito fixo e aproximar o design da sensação de movimento presente nas pinturas”, detalha.
Cada vestido da coleção é único devido ao processo manual de pintura, que impede reproduções idênticas e garante exclusividade às noivas. Com essa proposta, “Giverny” se posiciona como uma coleção que conecta arte e couture em uma perspectiva contemporânea, reafirmando a assinatura autoral de Ana França e sua busca por novas interpretações estéticas dentro da moda nupcial.
“Monet pintava paisagens várias vezes, em dias e horários diferentes. Para trazer essa releitura para o vestido, fomos movendo a cintura, em cima, embaixo, abaixo do busto, e até em transversal. A gente tem a ideia de que a cintura é só aquele ponto marcadinho; nosso trabalho foi mobilizar esse conceito, brincando com a transversalidade e a sensação de movimento dos drapeados que, em repetição, geram a imagem final do Impressionismo,” finaliza Ana França.